Mais uma semana de violência contra a mulher
Em dois dos três recentes ataques em escolas americanas, as vítimas foram alunas. Os irmãos do norte já estavam acostumados a ver ataques detonados por adolescentes perturbados - como ocorreu no ataque do dia 29 de setembro em Wisconsin. A novidade agora são adultos - no primeiro ataque, do dia 27 de setembro, no Colorado, e no terceiro, no dia 02 de outubro, em Pensilvânia. Em Colorado houve também violência sexual contra as meninas.
Para um antiamericano pode ser tentador querer ver nisso uma característica da cultura estadunidense do culto às armas e à violência. Para um anti-religioso, uma conseqüência do discurso hipócrita dos cristãos - reforçado pelo fato do terceiro caso ter ocorrido em uma comunidade amish. Para um moralista, uma representação da quebra dos valores tradicionais como a família.
De minha parte concordo e discordo ao mesmo tempo dessas três visões. Se por um lado é verdade que a visão tradicional da família vem se modificando muito ao longo do tempo e particularmente nas últimas décadas, e que a mudança na estrutura familiar tem levado muitas pessoas a perderem o referencial proporcionado pelo mundo estável de antes, imputar à essa alteração em específico tais tragédias é forçar demais a barra. Se não por outra coisa, o assassino de Pensilvânia era casado e com três filhos. E se é verdade que há muita hipocrisia no discurso religioso, ela também não parece ser a responsável - não apenas pelo fato da maioria das pessoas serem religiosas como por não haver indícios de que elas proporcionalmente sejam mais propensas a isso (religiões existem desde sempre). E se é verdade que o estado americano com seu militarismo, pretensamente anti-terrorista, cultua a violência por meio de seus filmes block busters não é uma característica exclusivamente americana. Mas, antes, uma característica humana. Se os EUA invadiram o Afeganistão, o mesmo fez a U.R.S.S. e a descendente Rússia oprime os separatistas chechenos.
Aliás, a defesa dos chechenos levou o estado russo a assassinar a jornalista Anna Politkovskaya, que denunciava a prática de tortura pelo exército russo contra eles.

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